Gravura é a arte de converter (e/ou a
transformação em si) uma superfície
plana em uma matriz, um ponto inicial para a
reprodução dessa imagem, através
de diversas técnicas e materiais. O material
dessa matriz pode variar e é também
ele que vai determinar o tipo de gravura que
está sendo executada.
Xilogravura
é a técnica mais antiga para produzir
gravuras, e seus princípios são
muito simples. O artista retira de uma superfície
plana, a matriz geralmente é madeira
as partes que ele não quer que tenham
cor na gravura. Após aplicar tinta na
superfície, coloca um papel sobre a mesma.
Ao aplicar pressão(com uma prensa) sobre
essa folha a imagem é transferida para
o papel.
Calcogravura: A técnica
da gravura em metal começou a ser utilizada
na Europa no século XV. As matrizes pode
ser placas de cobre, zinco ou latão.
Estas são gravadas com incisão
direta ou pelo uso de banhos de ácido.
Água-forte, água-tinta, ponta
seca são as técnicas mais usuais.
A matriz é entintada e utiliza-se uma
prensa para transferir a imagem para o papel.
Em
1796 Alois Senefelder descobriu as possibilidades
da pedra calcária para fazer impresões
e, após dois anos de experimentações
desenvolveu a técnica da Litografia.
Esta técnica parte do princípio
químico que água e gordura se
repelem. As imagens são desenhadas com
material gorduroso sobre pedra calcária
e com a aplicação de ácido
sobre a mesma, a imagem é gravada. Assim
como a gravura em metal, essa técninca
também necessita de uma prensa para transferir
par ao papel a imagem gravada na pedra.
Embora
existam registros de trabalhos utilizando stencil
na China, no século VIII, a serigrafiacomeça
a ser aplicada mais freqüentemente por
artistas na segunda metade do século
XX. Como as técnicas descritas acima,
também a serigrafia apresenta diversas
técnicas de gravação de
imagem. Uma delas é a gravação
por processo fotográfico. Imagens são
gravadas na tela de poliéster e com a
utilização de um rodo com a tinta
a imagem é transferida para o papel.
AS
ORIGENS DA XILOGRAVURA EXPRESSIONISTA NO BRASIL
Muitos desconhecem que o Expressionismo e seus
precursores – Edvard Munch, Käthe
Kollwitz, Alfred Kubin, entre outros –
estão muito mais próximos de nós
do que comumente se imagina. Há uma espécie
de "árvore genealógica"
que os liga à arte brasileira –
às vezes, de modo indireto; mas, ainda
assim, com sólidos galhos e raízes
profundas. Neste ensaio, pretendo apresentar
algumas breves notas sobre a chegada da xilogravura
expressionista no Brasil. Minha intenção
não é esgotar o assunto, mas meramente
fazer alguns apontamentos sobre o lugar e as
origens da xilogravura expressionista no contexto
brasileiro.
A
xilogravura é uma técnica de produção
artística feita a partir de matrizes
de madeira. Nelas é gravada a imagem
a ser reproduzida, que é então
impressa um certo número de vezes, de
forma a compor uma tiragem ou edição.
Comumente, após este processo, a matriz
é destruída – há
exceções, como veremos abaixo.
Desta forma, fecha-se a tiragem de uma xilogravura,
que é então comercializada de
acordo com a qualidade da impressão.
Em uma tiragem de 50 gravuras, por exemplo,
as primeiras são de maior qualidade que
as últimas, de modo que a gravura 1/50
(a primeira da tiragem) vale mais do que as
49/50 ou 50/50 (as últimas a serem impressas).
De toda forma, essa reprodutibilidade torna
a gravura uma obra de arte muito mais barata
que a pintura ou o desenho, por exemplo.
No
entanto, é preciso observar que estes
cânones são modernos. Em tempos
mais antigos – por exemplo, nos períodos
medieval e renascentista – não
existia um limite para a tiragem de uma matriz
(a não ser, naturalmente, limites físicos
– a própria resistência da
madeira). Os maiores gravadores da história,
como Albrecht Dürer, assinavam diretamente
na matriz, o que conferia autenticidade a qualquer
cópia impressa. Hoje em dia, isso não
é mais comum; geralmente, a assinatura
é feita a lápis, pelo próprio
artista, em cada uma das cópias impressas.
Nas gravuras dos expressionistas alemães
– nas de Ernst Kirchner, por exemplo –
já é possível ver que a
assinatura do artista não está
na matriz, mas na impressão. As mencionadas
exceções são tradições
populares que, ainda hoje, mantêm-se à
parte dos cânones citados.
A tradição do cordel é
um exemplo: J. Borges, gravador contemporâneo
internacionalmente conhecido, mantém
a assinatura na matriz, e muitas vezes faz tiragens
sem limite estabelecido. As maiores consequências
disto dizem respeito, obviamente, ao mercado:
uma gravura com tiragem e assinatura comumente
chega a valer dez vezes mais do que uma gravura
assinada na matriz e de tiragem ilimitada. No
fundo, o que está em jogo são
a assinatura do artista e a raridade da obra
em questão. Já houve tentativas
de fazer novamente da gravura uma arte acessível
e de baixo custo – Lívio Abramo,
um dos mais importantes gravadores brasileiros,
combatia expressamente a supervalorização
da gravura, defendendo a impressão de
grandes tiragens vendidas a preços baixos.
Se
pensarmos no caso do Brasil, todavia, veremos
que, para além de questões técnicas
e de mercado, a chegada da xilogravura expressionista
representa o encontro de duas "tradições"
que vêem a própria gravura de forma
diversa. A xilogravura da tradição
cordelista possui feições próprias.
Em cada uma de suas linhas, apresenta características
particulares, mas tradicionalmente voltadas
à comunidade na qual nasce. Há
desde as gravuras de linhagem moralista e religiosa
até as destinadas a perpetuar mitos e
histórias populares. No entanto, seu
público, sua função e sentido
são totalmente diversos da linhagem xilográfica
moderna, de influências européias.
A que já foi chamada de "gravura
erudita" é cercada de ateliers,
exposições, estritamente vinculada
ao mercado das fine arts, para usar a expressão
inglesa; é cercada de discussões
formais e estéticas – veja-se a
polêmica em torno da abstração,
que teve lugar na gravura brasileira em certo
momento do século XX, e, às vezes,
certos comprometimentos com determinadas vanguardas
artísticas. E, por fim, há a já
mencionada questão da valorização
da obra: uma preocupação com a
autenticidade cujo propósito é
diferente daquele que há entre os xilogravadores
de tradição cordelista –
já que aqui não se trata apenas
de uma questão autoral, mas também
de fatores econômicos.
De
toda forma, é inegável que este
encontro de águas abre horizontes para
a gravura brasileira. Nasce, aí, uma
infinita riqueza de linguagens – que,
longe de se encarcerarem nos grilhões
estilísticos de determinadas tradições,
estão sempre prontas a rompê-las
e encontrar novas trilhas. Foi isso que aconteceu
com a tradição expressionista.
Quando
falo do Expressionismo como uma "tradição",
uso a meu favor a ampla acepção
deste termo. É hoje um consenso entre
os especialistas que não é possível
falar de um "estilo" expressionista
uniforme sem incorrer em profundos equívocos;
de toda forma, espero que o que chamo de "tradição
expressionista" torne-se claro através
do próprio texto. A princípio,
entenda-se que refiro-me a xilogravadores brasileiros
que tiveram, diretamente ou não, influências
concretas de artistas expressionistas ou a este
movimento relacionados, entendendo-se por Expressionismo
a moderna arte alemã das primeiras décadas
do século XX.
Uma
das presenças mais fortes, neste sentido,
é Oswaldo
Goeldi. Carioca, nascido em 1895,
Goeldi foi ainda criança para a Europa,
onde inseriu-se no mundo artístico. Marcelo
Grassman, que o conheceu pessoalmente, observou
que Goeldi disse-lhe pessoalmente que sua grande
revelação havia ocorrido em uma
exposição de Edvard Munch, da
qual saiu "vendo gravura em tudo".
No entanto, mais do que isso, Goeldi teve importantes
relações com um dos expressionistas
da chamada "primeira geração",
pré-guerra: Alfred Kubin, genial gravador
e desenhista que participou d'O Cavaleiro Azul,
o seminal grupo no qual estavam Wassily Kandinsky
e Franz Marc. Kubin foi, além de amigo,
incentivador de Goeldi: este, como conta Aníbal
Machado em seu clássico ensaio sobre
o artista, enviou àquele certo dia, assaltado
pela dúvida e incerteza, seus trabalhos,
a fim de colher uma opinião crítica.
A resposta de Kubin – "seus instrumentos
de gravar tiram faíscas misteriosas e
feiticeiras do bloco de madeira" –
deu início a uma correspondência
que atravessou décadas. Experiência
similar foi a de Lasar Segall, russo naturalizado
brasileiro em 1927. Este, por sua vez, conviveu
com a chamada "segunda geração"
de expressionistas; chegando a fundar, junto
a Otto Dix, Conrad Felixmüller, Otto Schubert
e outros, o Grupo 1919. Pode ser interessante
lembrar que, dentre as obras recolhidas para
a exposição nazista de Arte Degenerada,
em 1937, estavam dez obras de Segall.
É
importante falar também dos alunos de
Axel Leskoschek, austríaco que exilou-se
na Suíça em 1938, vindo para o
Brasil como refugiado de guerra. Na Europa,
havia sido aluno de Käthe Kollwitz, expressionista
cuja obra expressa intensa preocupação
social e política. Basta que se veja
seu Memorial para Karl Liebknecht, gravura de
tiragem ilimitada vendida a preços baixos,
cuja renda foi revertida para financiar as exposições
do proletariado berlinense. Leskoschek, como
observa Fayga Ostrower, tinha uma capacidade
única de "captar o clima mental
de uma cena ou de uma narrativa, o que fazia
de maneira brilhante"; e deixou marcas
em uma grande quantidade de seus alunos –
entre os quais estavam, além de Fayga,
gente como Ivan Serpa, Renina Katz e Edith Behring.
Pode-se lembrar ainda que a própria Fayga
Ostrower teve declarada influência de
Käthe Kollwitz.
À
guisa de conclusão, gostaria de observar
que, como demonstram estas notas, a xilogravura
expressionista chegou ao Brasil por caminhos
bastante visíveis. Na história
da gravura brasileira, trata-se de um capítulo
seminal, dada a fundamental influência
de Goeldi, Segall, Leskoschek e tantos outros
na nossa arte gráfica. Deste livro, os
primeiros capítulos apenas esparsamente
foram até o momento escritos; entretanto,
todos nós, artistas ou amantes da arte,
estamos, ainda que muitas vezes inconscientemente,
entre seus leitores.
Siglas
utilizadas em gravuras
Uma edição de gravuras originais
compreende:
-
Provas numeradas com indicação
do total (ex: 1/100 a 100/100);
-
P.A. (prova de artista);
-
P.E. e P.Cor (provas de estado e de cor): determinam
um estágio anterior à edição;
-
P.I. (prova do impressor): pertence ao impressor;
-
B.P.I. (boa para imprimir): a editora tem esse
exemplar arquivado, para efeito de autenticidade;
-
PAP e P.Exp. (provas de apresentação
e exposição): provas utilizadas
para lançamento de uma edição;
-
H.C. (hors du comerce): os exemplares com essa
indicação são excluídos
da comercialização regular.
O
que é gravura em metal ou Calcogravura?
A gravura em metal é o processo de gravurafeito
numa matriz de metal, geralmente o cobre. Pode
também ser feita em alumínio,
aço, ferro ou latão amarelo. A
gravura em metal pode ser definida como gravura
de encavo (do francês gravure en creux),
termo genérico que é aplicado
para definir certos procedimentos da gravura.
A palavra encavo pretende ressaltar que o depósito
de tinta para impressão é feito
dentro dos sulcos gravados e não sobre
a superfície da matriz, como no caso
da xilogravura.
As
ferramentas mais comuns usadas para gravar uma
imagem na matriz são a ponta seca e o
buril. Mas na maneira direta há também
o roulette(que permite conseguir um traçado
irregular, granulado, como um lápis grafite).
Já o berceau, o brunidor e o raspador,
são instrumentos usados na técnica
conhecida como maneira negra (do francês
manière noire) ou também conhecida
como meia-tinta (do italiano mezzo - tinto).
Existem ainda técnicas nas quais são
utilizados produtos químicos, como na
água fortee na água tinta.
As
nomenclaturas e as diferenciações
dos inúmeros procedimentos que caraterizam
o que genericamente denomina-se "gravura
em encavo" são fundamentadas a partir
de características básicas de
suas variantes técnicas processuais:
a gravura em metal, por se utilizar de um metal
como matriz; a calcogravura do latim calco que
significa comprimir; o talho-doce (do francês
taille-douce); e também por especificidades
técnicas como gravura a buril, a água-forte,
a água-tinta, que podem referir-se tanto
à técnica quanto ao instrumento
utilizado na gravação.
A
gravura em Metal é uma das mais antigas
técnicas de gravura. Existem obras nesta
técnica datadas de 1500, produzidas por
vários gênios da Renascença,
como o alemão Albrecht Durer, por exemplo.
A gravação em metal estava no
princípio ligada ao trabalho de ourivesaria,
como obra de entalhe e desse modo voltada à
ornamentação. O desenvolvimento
de processos gráficos a partir do século
XV, impulsionado por novas necessidades na realização
de imagens impressas e na procura de técnicas
que permitissem um trabalho gráfico da
imagem impressa de alta qualidade e resistência
às grandes tiragens e edições,
encontrou no meio ligado à ourivesaria
o ambiente necessário para o emprego
de matrizes de metal e para o aparecimento das
técnicas da gravura em metal. A gravura
em encavo, assim denominada como oposição
à gravura em relevo, deposita a tinta
nos sulcos realizados pela gravação.
A
técnica do Metal consiste na "gravação"
de uma imagem sobre uma chapa de cobre. Os meios
de obter a imagem sobre a chapa são muitos,
e não seria exagero dizer que são
quase "infinitos", pois cada artista
desenvolve seu procedimento pessoal no trato
com o cobre. A maneira mais direta de fazer
uma gravura em metal é com ferramentas,
como a ponta seca - um instrumento de metal
semelhante a uma grande agulha que serve de
"caneta ou lápis". A ponta
seca risca a chapa, que tem a superfície
polida, e esses traços formam sulcos,
micro concavidades, de modo a reterem a tinta,
que será transferida por meio de uma
grande pressão, ao passar por uma prensa
de cilindro conhecida como prensa calcográfica,
e imprimindo assim, a imagem no papel. A impressão
da imagem gravada em encavo baseia-se na retirada
da tinta que se encontra nos sulcos gravados,
o que exige uma considerável pressão
mecânica e portanto equipamento adequado
que difere do tipográfico, ou de uma
impressão manual, como ocorre na xilogravura.
Além
de ferir a chapa de cobre com a ponta seca,
obtendo o desenho, a chapa também pode
receber outras ferramentas diretas como o buril,
o roulette e outros. Nos meios indiretos, água-forte
e água-tinta , os produtos químicos,
conhecidos por mordentes (ácido nítrico,
percloreto de ferro e etc.) atacam as áreas
da matriz que não foram isoladas com
verniz, criando assim outro tipo de concavidades,
e consequentemente, efeitos visuais. Desta forma
o artista obtém gradações
de tom e uma infinidade de texturas visuais.
Consegue-se assim uma gama de tons que vai do
mais claro, até o mais profundo escuro.
Estes procedimentos ainda podem ser usados em
conjunto.
São
inúmeros os exemplos de artistas que
produzem obras onde a gravura é utilizada
não apenas como ponto de partida para
o desenvolvimento de todo um processo, mas também
como meio expressivo autônomo, que recupera
antigas técnicas e procedimentos tradicionais
mas também incorpora imagens produzidas
por equipamentos e tecnologia de ponta nos dias
atuais. Desde as primeiras manifestações
gráficas os diferentes procedimentos
da gravura têm encontrado papel de destaque,
tanto como meio de comunicação
de idéias, ou como meio difusor de conhecimento,
ou ainda como um importante recurso expressivo.
A
gravura como meio de expressão e de pensamento,
com sua linguagem própria, se manifesta
indiscutivelmente no contexto da arte contemporânea,
a considerar sua enorme importância na
formação do pensamento e da cultura
ocidentais.
O que é litogravura / litografia?
Litografia (do grego -lithos
[pedra] -graféin [grafia, escrita]) é
um tipo de gravura. Essa técnica de gravura
envolve a criação de marcas (ou
desenhos) sobre uma matriz (pedra calcária)
com um lápis gorduroso. A base dessa
técnica é o princípio da
repulsão entre água e óleo.
Ao contrário das outras técnicas
da gravura, a Litografia é planográfica,
ou seja, o desenho é feito através
do acúmulo de gordurasobre a superfície
da matriz, e não através de fendas
e sulcos na matriz, como na xilogravurae na
gravura em metal. Seu primeiro nome foi poliautografia
significando a produção de múltiplas
cópias de manuscritos e desenhos originais.
História
Essa técnica foi inventada por Alois
Senefelder- um jovem ator e escritor de teatroalemão
- por volta de 1796, quando buscava um meio
de impressãopara seus textos e partiturase
se deparava com o desinteresse dos editores.
Acabou inventando um processo químico
novo, mais econômico e menos demorado
que todos os outros meios conhecidos na época.
A ação de desenhar/escrever sobre
pedra já era conhecida, o crédito
de Senefelder é ter equacionado os princípios
básicos da impressão a partir
da mesma. Apoiou-se em textos encontrados em
Nuremberg, sobre as experiências de Simon
Schmidt, sacerdote e professor bávaro,
sendo este o primeiro a pensar a pedra como
matrizreprodutora.
A
Litografia foi usada extensivamente nos primórdios
da imprensamoderna no século XIX para
impressão de toda sorte de documentos,
rótulos, cartazes, mapas, jornais, dentre
outros, além de possibilitar uma nova
técnica expressiva para os artistas.
Pode ser impressa em plástico, madeira,
tecido e papel.. Sabe-se que o primeiro pintor
que se utilizou com sucesso da técnica
de litografia foi Goya, em sua série
Touradas de 1825. Este expediente artístico
atingiu seu apogeu nas últimas décadas
do século XIX, quando diversos autores
franceses como Renoir, Cézanne, Toulouse-Lautrec,
Bonnard, dentre outros, promoveram uma renovação
da litografia a cores.
Técnica
A técnica da litografia pode ser dividida
em quatro etapas básicas:
1. Limpeza
Antes de mais nada é necessário
apagar a imagem anterior desenhada na pedra,
para que não haja interferências
no seu próprio desenho. Então,
espalham-se grãos (pó de esmeril
grão 80, 150 e 220 ou areia fina bem
peneirada) sobre a pedra, joga-se um pouco de
água para umedecer e coloca-se outra
pedra calcária mantida para esse fim
ou quebrada para lixá-la. Deve-se lixar
a pedra sempre em um movimento de oito (infinito),
cuidando para que nenhum pedaço da pedra
de baixo fique intacto, para evitar desnivelamentos.
Quando o desenho demora a sair, despeja-se uma
solução de ácido acético
a 10% para quebrar a gordura remanescente, deixando
agir por 2 a 5 minutos antes de lavá-la.
Não se pode esquecer de limar as arestas
irregulares da pedra num ângulo de aproximadamente
45º, para que a pedra não lasque
e nem marque o papel. Depois que a pedra está
seca, é bom evitar o contato da superfície
com as mãos ou qualquer substância
rica em gordura, para que não haja manchas
indesejadas que prejudiquem na impressão.
2. Desenho
A segunda etapa é desenhar sobre a pedra
com materiais ricos em gordura já citados
anteriormente, mas antes é necessário
traçar uma margem de tamanho variado,
com goma arábica. Uma vez a goma espalhada
na pedra, a área atingida não
receberá gordura, salvo se removida com
uma lâmina ou com a ponta seca ou re-sensibilizada
com solução de ácido acético
diluído a 5%. Aqui a criatividade do
artista atua, além dos métodos
tradicionais de desenho sobre pedra, pode-se
usar lâminas e pontas-secas para adicionar
textura, marcas com papel carbono, agüada,
entre outros.
3. Entintagem
Depois que o desenho está pronto, e seco,
caso tenha sido utilizada uma tinta aqüosa,
partimos para a acidulação e entintagem
ou viragem, processos que fixam a gordura na
superfície da pedra, evitando que esta
se espalhe pelas áreas brancas, descaracterizando
o desenho. Pulveriza-se o breu sobre a imagem,
espalhando-o com um chumaço de estopa,
depois a pedra recebe um banho de uma solução
de goma arábica, acido tânico,
nítrico e fosfórico, que fixa
a gordura apenas na superfície. A matriz
então fica dividida em duas áreas:
a branca que retém água e repele
gordura e a desenhada que agrega gordura e repele
água. Limpa-se a superfície com
removedor (aguarrás ou querosene) para
eliminar o pigmento usado no desenho preservando
apenas a gordura, em seguida, a superfície
da pedra é umedecida com água.
Nessa etapa, não podemos deixar a superfície
da pedra secar.
A
entintagem é feita com um rolo de couro
ou de borracha, a tinta litográfica é
oleosa e ao passarmos, adere somente nas partes
engorduradas, muito embora devamos limpar as
margens e a superfície da pedra com uma
esponja úmida para evitar qualquer acúmulo
de tinta que possa aparecer na hora da impressão.
4. Impressão
A última etapa é a impressão,
as primeiras tentativas são consideradas
testes. A espessura da pedra deve ser de pelo
menos 5 centímetros, para evitar rachaduras.
O papel(ou outro material) é colocado
sobre a pedra, de maneira alinhada. Usa-se uma
prensa manual própria para a litografia,
a pedra é colocada sobre a superfície
plana da prensa que desliza sob a pressão
de uma trave chamada ratora. Gira-se a manivela
com cuidado para que a ratora não ultrapasse
o limite da pedra, causando um acidente, devido
a forte pressão. O desenho será
impresso de maneira espelhada no papel, assim
como nas outras modalidades da gravura. A litografia
permite tirar muitas cópias da mesma
matriz. Depois de tiradas as cópias desejadas,
a pedra está pronta para ser limpa e
reutilizada.
A
primeira Oficina de Litografia de Minas Gerais:
Em Minas Gerais, a primeira oficina litográfica
voltada exclusivamente para a atividade artística
funcionou no Centro Artístico Cultural
de São João del-Rei. A oficina
foi montada em 1961 com o equipamento da extinta
Gráfica Castello, uma prensa e 200 pedras
litográficas, adquirado pelo artista
baiano João Quaglia, que se juntou aos
são-joanenses Geraldo Guimarães,
Sílvia Lombardi e aos padres David e
Tiago do Colégio Santo Antônio.
O
trabalho desenvolvido repercutiu de tal forma
nos meios artísticos de Belo Horizonte,
que a Escola Guignard organizou um curso para
Quaglia ministrar a seus alunos, sob sugestão
da aluna Lotus Lobo, que conhecera as atividades
do Centro Artístico e Cultural durante
a Semana Santa de 1963, em São João
del-Rei.
O
curso ministrado por Quaglia acaba por estimular
a criação do Grupo Oficina, formado
por jovens artistas - Lotus Lobo, Roberto Vieira,
Klara Kaiser, Nívea Bracher, Paulo Laender,
Frei David, entre outros -, que passam a utilizar
a litografia como meio expressivo para suas
atividades artísticas. Trabalhando em
conjunto, experimentam as possibilidades técnicas
da litografia, entre as quais se destacam a
fidelidade ao desenho original e o caráter
de reprodutividade em série.
O que é monotipia?
"Como a própria palavra indica,
monotipia é um processo de gravura que
dá origem a uma única cópia.
Usualmente, para a preparação
da placa de impressão, usam-se materiais
não-absorventes, como vidro e fórmica,
e mais tinta e pincéis. Para transporte,
utiliza-se papel absorvente."
O que é Giclée?
Giclée é uma palavra francesa
usada nos EUA para nomear o processo de microjato
de tinta, a uma determinada pressão,
usado na impressão desta nova geração
de gravuras. É feita na máquina
"Giclée Printer", que jateia
aproximadamente 4 milhões de microscópicos
pingos de tinta por segundo, em papel ( 100%
algodão, 220 g ) ou tela. Podem ser usadas
até 16 milhões de cores numa só
giclée.
Esta
tecnologia é considerada o que há
de mais sofisticado em termos de impressão
para artes gráficas. Todo o material,
incluindo tintas pigmentadas específicas,
é importado. Tanto a tela como o papel
( 220 g ) são procedentes da Alemanha
e são preparados para receber tintas
de alta duração ( marca Epson,
importadas dos EUA ).
As
giclées em papel são entregues
com um passe-par-tout de papel ( marca Crescent
- PH neutro, também americano). As em
tela já vem montadas num chassis.
A
partir de um cromo ( 10 x 12 cm ) do quadro
original, é criado um arquivo digital
de altíssima resolução.
A artista passa, então, a trabalhar junto
com a editora na correção e ajuste
de cores e após a aprovação
da matriz, a gravura é impressa individualmente
sobre um suporte de tela ou papel permitindo
que a qualidade da obra original seja totalmente
preservada.
As
edições são limitadas,
numeradas e assinadas pela artista, sendo emitidos
certificados de autenticidade, garantindo a
origem da obra. A sua durabilidade é
superior a 150 anos , desde que observadas as
normas de conservação : nunca
expor diretamente ao sol, a água ou umidade
excessiva. As giclées em tela já
possuem uma camada de verniz protetor, não
necessitando qualquer adição de
uma outra. Para limpar a tela, passar somente
um pano livre de fiapos, macio e seco.
Gravura
em metal
É
aquela
técnica que utiliza tanto os métodos
direto como indiretos para incorporar à
matriz (em geral) de cobre, latão ou
zinco uma imagem com características
nitidamente peculiares a esse processo de gravura.
Nos chamados métodos diretos a mão
e instrumentos atuam sulcando a superfície.
Nos métodos indiretos, além dos
instrumentos são utilizados agentes intermediários,
tais como, mordente mais seu tempo de atuação,
ceras, vernizes, redutores.
No
Ocidente, os ouvires e artífices em metal
foram provavelmente os primeiros gravadores
e impressores de suas placas. As primeiras gravuras
em metal na Itália e na Alemanha são
portanto resultados de trabalho de artesões,
cujos projetos não eram necessariamente
artísticos. Vasari e Finiguerra (1426-1464),
continuadores de uma tradição
artesanal familiar, foram os descobridores da
impressão extraída de uma placa
de metal. Pollaiolo foi provavelmente o primeiro
artista italiano de destaque a usar gravura
em metal como projeto artístico. Na Alemanha,
Schoungauer foi iniciador, seguido por Dürer,
cujas gravuras permanecem até hoje como
modelos de aprimoramento técnico aliado
à excelente qualidade artística,
do ponto de vista de expressão. A gravura
em metal foi difundida rapidamente. Um sem números
de gravadores e impressores se desenvolveram,
particularmente a partir da possibilidade de
reprodução fiel de desenhos e
pinturas. A divulgação da obra
de grandes mestres teve na gravura em metal
o seu grande veículo. Por isso mesmo
a gravura, como meio de expressão autônoma
começa a enfrentar o fenômeno da
decadência, que durou de 1550 a 1700.
Apesar disso, alguns artistas destacam-se nesse
período, praticando a gravura em metal
pelos valores intrínsecos da técnica,
do ponto de vista da força criadora inerente
à matéria. Foram Dürer, Piranesi,
Rembrandt, Callot, Horgath, Goya, Blake, entre
outros mestres. Somente no século XIX
a gravura em metal ganha autonomia desligada
do simples processo de reprodução.
Essa autonomia enriquece inclusive os processos
e as técnicas. Desde então a gravura
em metal entrou em franco desenvolvimento, conquistando,
nas artes gráficas, em seu lugar de destaque.
Buril:
Sobre
a chapa de metal polida, é cavado um
sulco pela ponta afiada de um buril de aço,
cujo corte revela uma secção em
losango em posição de ângulo
a 45° em relação à
chapa. O instrumento é diretamente manipulado
pelo artista e a incisão é livre,
de profundidade variável. O resultado
é um traço seco e nítido,
sendo que na impressão o buril oferece
possibilidades de impressão em positivo
e negativo (traço em branco ou em preto).
Ponta
Seca:
O
artista empunha um instrumento de aço
como se fosse uma pena (caneta); sua extremidade
é em ponta fina, ao contrário
do buril, que é losango. Com ela "rasgará"
a superfície, em posição
de escrita; ao faze-lo, deixará ao longo
do rasgo uma fina rebarba de metal que na impressão
caracterizará essa técnica, por
gerar uma linha mais aveludada. Só é
passível de impressão em positivo.
Água-Forte:
Nesta
técnica a placa é revestida por
um verniz protetor. Com um estilete, o artista
executa uma imagem, de modo a descobrir o metal.
Onde o estilete retirar o verniz descobrindo
o metal, o mordente (ácido nítrico,
percloreto de ferro, mordente holandês)
penetrará e atacará o metal, nele
gravando a imagem. A partir deste princípio,
a água-forte se desdobra em dezenas de
variantes, tais como água-tinta, verniz
mole, maneira negra, maneira ao açúcar,
mezzotinta, processos combinados, etc. Estas
variantes, além de mordentes, utilizam
outros equipamentos: ceras, breu em grãos
variados, brunidores, buris rajados, raspadores,
gôndola e vedantes de consistências
variadas. O tempo em que uma chapa é
exposta à ação do mordente
é que vai definir a qualidade e intensidade
dos valores de luz e sombra e das texturas.
Serigrafia
A
impressão de uma estampa por processo
de estêncil é uma das mais antigas
técnicas que se conhece. Os chineses
e japoneses usavam-na já em impressão
de tecidos e papéis decorativos, alcançando
um extremo requinte. No Ocidente o processo
já era conhecido no século XVI
par imprimir cartas de jogar, e também
como meio de colorir xilogravuras. A impressão
de estêncil era usada com fins quase que
exclusivamente ligados a produtos de artesanato
e manufatura. Na França, alcançou
grande popularidade graças a Jean Papillon,
fabricante de papéis de parede.
Posteriormente
sua utilização se ampliou com
propósitos comerciais: cartazes, displays,
brinquedos, tecidos e tantos outros produtos
já usavam silk-screen como processo econômico
de produção de imagens coloridas.
Somente por volta de 1936, graças à
influência de Anthony Valonis, é
que alguns artistas começaram a perceber
o potencial do silk-screen como meio de expressão
artística. Foi Carl Zigrosser, historiador
de arte e curador do Museu de Arte Moderna de
Philadélfia, que pela primeira vez usou
o termo "serigrafia" para identificar
as estampas desenvolvidas nessa técnica,
com propósitos não comerciais.
Com isso pretendeu desvincular do nome silk-screen,
já comprometido com produções
estritamente comerciais, das novas experiências
de caráter artístico. A serigrafia
baseia no seguinte princípio: uma película
é fixada sobre uma tela de seda ou nylon,
esticada firmemente nas extremidades de um bastidor.
A estrutura da tela deve ser tal que permita,
por pressão de um rodo, ser atravessada
em sua trama pela tinta. As áreas de
imprimir são "abertas" na película.
As áreas que não receberão
impressão são bloqueadas por essa
mesma película ou emulsão fotográfica,
quando for usado processo fotográfico
de fixação de imagem. Basicamente,
na tela de nylon, cada cor tem uma matriz. É
a soma destas matrizes que organiza o projeto
do qual resulta a imagem. A serigrafia não
utiliza como as demais técnicas, a prensa.
Vasarely é o exemplo de um artista que
usou a serigrafia em toda sua extensão
e possibilidades. Suas estampas chegam às
vezes a ter mais de 50 telas para formar uma
imagem. Certos processos mistos se apóiam
nas enormes possibilidades de serigrafia.
Digigrafia
Digigrafia
é o termo usado para impressões
de qualidade artística produzidas por
uma impressora jato-de-tinta. Não confundindo
com uma impressora jato-de-tinta qualquer designada
para uso comercial e/ou doméstico.
Ela pode ser impressa em várias superfícies
diferentes, tanto como papel de impressão
tradicional, como em papéis para aquarela
e até sobre lonas para tela. Aplicando
camadas protetoras resistentes a raios UV e/ou
protegendo as impressões com vidro ou
plástico com filtro UV pode-se garantir
a estabilidade das imagens digigrafia.
O
processo envolve escanear o original para o
computador (a menos que a imagem já tenha
sido criada anteriormente nele) ajustamento,
correção de cores e organização
da imagem como for necessário. Uma vez
que o arquivo digitalizado foi salvo, impressões
adicionais podem ser feitas na medida em que
for preciso, embora seja recomendada a impressão
do conjunto todo de gravuras para que seja mantida
a mesma qualidade de imagem nas impressões.
Cada imagem é armazenada como dados digitais
e cada pixel (ponto) de cor pode ser alterado
individualmente ou corrigido antes da impressão.
Para melhorar, para o máximo de resultado
custo-eficiência, você pode agrupar
múltiplas cópias da mesma imagem
sobre uma única folha, desta forma reduzindo
o número de folhas pedidas.
Talvez a questão que tenha ficado no
ar sobre as impressões digigrafia seja
quanto a estabilidade da imagem. Como as digigrafias
são extremamente recentes, ninguém
realmente pode dizer por quanto tempo elas irão
durar, mas o consenso geral é que com
estocagem (métodos usados nos museus
para preservar gravuras valiosas e delicadas)
elas irão durabilidade aceitável.
Recentes testes independentes têm também
mostrado que o tempo de vida de uma digigrafia
depende inteiramente da combinação
específica de tinta e papel usados na
impressão.
Encaixando digigrafias dentro das imagens
Uma
razão para se considerar as impressões
digigrafia revolucionárias é que
elas são simultaneamente similares e
diferentes de outras mídias - elas podem
ser uma reprodução (próximo
ao offset), um trabalho artístico original
(como aquarela ou pintura) ou gravuras originais
em série (como litografia ou serigrafia).
Isso tudo depende de quando e como é
usada a imagem digital no processo artístico:
*
Reproduções - Por definição,
sempre que um trabalho de arte original é
escaneado para o computador e impresso, o resultado
é uma reprodução. O fator
determinante é que um trabalho original
existe independentemente da impressão
- tudo que copie isso é considerado reprodução.
*
Trabalho de Arte Original - Para ser
original, o trabalho artístico precisa
ser distinto. Para uma imagem digital ser qualificada
como trabalho original, é preciso que
a imagem seja gerada inicialmente no computador
e então exposta a primeira impressão
resultante desta. Se ela for modificada com
técnicas tradicionais de pintura, como
com tintas acrílicas, isto poderia ser
considerado teoricamente uma pintura original.
Por exemplo, se a aplicação de
pastéis ou colagem é incluída,
a impressão seria considerada como uma
técnica mista original.
*
Impressões Originais Múltiplas
- Uma imagem digital que originariamente no
computador mas que impressa numa edição
de mais que uma ou múltiplas gravuras
originais dentro da mesma família, como
litografia e serigrafia. Outro elemento determinante
numa gravura múltipla original é
a colaboração próxima entre
artista e impressor no processo de gravação,
que edições glicée oferecem
até um certo ponto. É claro que
ainda existem algumas áreas cinzas entre
essas distinções. Por exemplo,
se um artista escanear uma pintura original
para computador, e então manipular ela
digitalmente antes de imprimir em digigrafia,
o resultado é uma gravura original ou
uma reprodução? Estas questões
terão de ser resolvidas ao passo que
as impressões digitais se tornem mais
aceitas.
Olhando
para o futuro
Impressões
digitais permitem que você tenha controle
sobre sua carreira, lhe dando a possibilidade
de começar uma publicação
auto-suficiente de qualidade artística
em quantidades modestas. Isto também
permite que você construa gradualmente
seu acervo pessoal pelo tempo em resposta ao
seu mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, o público
comprador de arte está começando
a adquirir gravuras digigrafia devido à
similaridade que elas apresentam com relação
às pinturas originais, mas por preços
acessíveis. Expertes prevêm que
o mercado para digigrafia vai crescer fortemente
e que o valor de uma gravura digigrafia irá
eventualmente ser determinado como na maioria
dos outros tipos de obras de arte - pelo quanto
desejada é a imagem e pela reputação
e prestígio do artista.