Pela
primeira vez apresento Oswaldo Goeldi numa exposição
itinerante, comparando aos andarilhos de suas
obras. E as exposições itinerantes
têm papel fundamental o intercâmbio
entre museus, galerias e outros espaços,
aproximando pessoas e culturas.
Destacam-se como veículos de divulgação,
dinamização e legitimação
para uma ampla rede de organismos culturais
existentes em nosso país, que uma vez
movimentados fomentam a cultura e o turismo.
Considerei esse aspecto ao optar por produzir
uma exposição que se tornasse
algo próximo do público visitante,
percorrendo algumas capitais brasileiras cuja
obra de Goeldi, já esteve presente interligando
seus órgãos de cultura como forma
de experiência e de integração.
A notoriedade deste artista, ora simples, ora
poeta, ora mestre ou aluno surge Goeldi na forma
mais abrangente da difusão da gravura
e desenhos que foram reproduzidos em revistas,
jornais e livros.
Oswaldo Goeldi possuía muitos companheiros
do meio intelectual e artístico, tais
como: Di Cavalcanti, Mario de Andrade, Manuel
Bandeira, Livio Abramo, Aníbal Machado,
Portinari , Carlos Drummond de Andrade e muitos
outros.
Convivera com eles de uma forma discreta, econômico
nas palavras e gestos, uma figura ímpar
e especial, isolada no cenário da arte
brasileira, mas ícone na sua forma de
produzir seu trabalho, apoiado em suas convicções
pessoais e retratando em suas obras uma comovente
coerência como uma missão inatingível
a ser cumprida com rigor e firmeza.
Aqui, mostramos um pouco mais da vida e do cotidiano
de Oswaldo Goeldi. Solitário como homem,
mas com uma mente e coração capaz
de propiciar a discussão da arte silenciosa.
A história de Goeldi, possui muitos protagonistas,
que ao longo de suas vidas deixaram registrados
muitas fagulhas de suas passagens. Mas, o que
nos envolve numa busca constante de entender
seu ímpeto em produzir incansavelmente,
é observar os contrates do lirismo de
sua obra dramática, o dia, a noite, a
vida, a morte e a luz noturna.
Seus sentimentos calados, poucos guardam em
suas memórias, e ao ler, suas cartas,
interpretar suas obras e conviver com seus irmãos,
é onde pretendo resgatá-los, através
de uma reflexão interiorizada de sua
arte mais intimista transformando esta exposição
num mosaico entre o homem e o mágico.
Assim, aqui atuo como uma viajante no tempo,
transcendendo a morte e criando um elo entre
a gravura e seu maior mestre iluminado apenas
por uma pequena luz noturna.